NENHUMA MULHER NASCEU PRINCESA…

NENHUMA MULHER NASCEU PRINCESA…

 Em um certo dia estava caminhando em uma loja de departamentos, dessas que vendem quase tudo,  daqui da  cidade onde eu moro, olhando jogos de lençóis de cama, e me deparei com uma cena um tanto quanto peculiar. Encontrei uma garotinha, aparentava ter uns 5 anos de idade, de postura firme, olhar analítico e criterioso na sessão de brinquedos, especificamente na sessão de bonecas. Naquele lugar tinha outras garotinhas (aparentemente normais, estavam escolhendo uma Barbie, um joguinho de cozinha rosa ou mesmo um neném que chora), mas aquela menina de postura firme, despertou meu interesse.                                         

Me aproximei dela como alguém que estava escolhendo um brinquedo,  e comecei a  perguntar:  – Qual brinquedo você gostou mais? Eu posso te ajudar a escolher, caso queira … E para minha surpresa ela responde:  – Não gostei de nenhum brinquedo, Tia! Como assim? Eu me indaguei. Vejo que seus olhos estão na sessão de brinquedos para meninos e para aquela sessão ela foi tão decidida. Ali pode-se ver seus olhos brilharem, e novamente me aproximei dela, que me pede ajuda: – Tia eu quero aquele carro vermelho. Ajudei-a, peguei o carro entreguei em suas mãos, e logo em seguida sua mãe veio ao seu encontro, com olhar de desaprovação da escolha da filha, tentou convencê-la que o carro não era brinquedo para ela, e quase a fez levar uma Barbie ou joguinho de cozinha rosa desses cheios de panelinhas e pratinhos. Mas, ela foi firme, argumentou, porém não convenceu a sua mãe. A última conversa que eu ouvi da mãe foi:  que meninas gostam de bonecas, Barbies, ursos, bebês e brincar de casinha. E que se quisesse escolhesse um desses brinquedos, o carro não! Voltei para aquela sessão de brinquedos e olhei atentamente cada um que ali tinha para meninas, comecei a refletir, e me deparo com a seguinte questão: como estamos educando nossas futuras mulheres? Porque ainda queremos impor que nossas meninas brinquem de casinha, segurem bebês e Babies bem estereotipadas?

Desde o ventre de nossas mães somos chamadas de  “princesinha”,  e pasmem,  esse adjetivo acompanha até a fase adulta, notaram?  Mas, vamos lá, o que é uma princesa?  A   Princesa é uma mulher frágil, insegura,  delicada,  de aparência jovem, muito bela, recatada, educada, submissa,  pronta  e disposta para agradar a todos. Sem o direito de reclamar, e muitos menos de demonstrar raiva ou algum tipo de descontentamento.  À espera do seu príncipe encantado, um homem sem defeitos pronto para salvá-la e protegê-la de qualquer mau.  Por outro lado, percebem que não há bonecas para meninas com roupas e coroa de rainha?  Sabem o porquê? Porque rainha é uma mulher, que tem autoridade, firme, autoconfiante, segura, que manda e desmanda, uma mulher dona do  seu tempo, dona da sua vida,  não obedece e sim dita as regras  do seu próprio jogo.                                                                                       

Portanto, os tempos passaram, vivemos em um outro contexto histórico, e mesmo assim, mulheres ainda são condicionadas desde pequenas a acreditarem em uma falsa ideia de que são frágeis, delicadas,  indefesas, emocionalmente instáveis, precisam ser recatadas, induzidas a se manterem sempre jovens e belas . Forçadas a acreditar que não possuem capacidade de administrar a própria vida e muito menos o seu próprio dinheiro.  

Se o desejo é ser vista com outra perspectiva pela sociedade, precisamos eliminar dentro de nós e romper de uma vez por todas estereótipos e padrões comportamentais tão arcaicos e conservadores que ainda existem.  E sim, começar para ontem, a ensinar nossas meninas a serem mulheres, sim mulheres de verdade, cuja aparência até pode ser delicada, mas que possuem intelecto forte, que podem e devem decidir ou desaprovar algo ou alguém que não lhe agrade. São responsáveis e capazes de resolverem qualquer problema de forma racional, que devem administrar (suas) empresas, suas vidas e também o seu dinheiro. Que podem apertar o botão do f**** quando achar conveniente, e está tudo bem!  E que ser mulher não é sinal de fragilidade, e sim, sinal de força, inteligência, sabedoria, coragem, mas sem perder a sua essência feminina. E que são rainhas da p**** toda,  autossuficientes, não precisam de ninguém para salvá-las.                                                                        

Então, vamos mudar as brincadeiras e os costumes antigos por novos, deixem suas meninas brincarem de carrinho ( carro significa autonomia, controle  e liberdade),  quando forem brincar de bonecas as  vistam  com roupas de empresárias, super- heroínas,  e também com roupa e coroa de rainha. Conte histórias de mulheres guerreiras que lutaram, venceram e mudaram a história da  humanidade.  Falem de dinheiro, da importância de administrá-lo e investi-lo bem e com sabedoria, o quão é importante a liberdade financeira na fase adulta. 

E por fim,  ensinem a se defenderem, parecer delicada não é nada perto da sua inteligência e sabedoria. Afinal de contas, nenhuma mulher nasceu para ser a princesa submissa, chata, presa em uma história mais chata ainda,  e sim para reinar absoluta, para mandar e desmandar em sua vida, pois tem a liberdade e o direito de fazer o quer e quando quer, sem se importar com o que os outros vão dizer dela, pois é a rainha da p*** toda.

Jhane Mendes
colunista | [email protected] | + posts

Formada em psicologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Sobral Pinto (FAIESP), 2016. Atua  na como Psicóloga clínica e na área de gestão de pessoas. Apaixonada  pelo comportamento humano e suas complexidades. Meu propósito é ajudar  as pessoas, especialmente mulheres a conquistarem  a sua melhor versão, proporcionando autoconhecimento e agregando valor  a suas vidas.

Jhane Mendes

Formada em psicologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Sobral Pinto (FAIESP), 2016. Atua  na como Psicóloga clínica e na área de gestão de pessoas. Apaixonada  pelo comportamento humano e suas complexidades. Meu propósito é ajudar  as pessoas, especialmente mulheres a conquistarem  a sua melhor versão, proporcionando autoconhecimento e agregando valor  a suas vidas.

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